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O Ás Amaldiçoado

Brincando com o irmão e seu baralho à tira colo

Com o revólver na mão, sem querer deu um disparo

O truco virou sangue, a morte manchou o As,

Hoje joga pra esquecer, eis a sina mordaz

 

Vai, Zé, vai

Dê as cartas de uma vez

Mas lembre-se que aquele As esconde o que você fez.

 

Passou noites no escuro, jurando esquecer o som

Da queda, do corpo mole, do fim que ele não quis pôr.

Carregava preso no chapéu, o As amaldiçoado,

A carta que nunca jogou, seu segredo mal guardado.

 

Vai, Zé, vai

Não minta para si

Uma hora até o blefe encontra o dono que o pariu.

 

Amou uma só mulher e dela escondeu o passado,

A carta no chapéu e seu significado.

Um dia ela a viu a carta e tocou no sangue seco,

Disse “Zé, isso é morte!” e sumiu no breu do beco.

 

Vai, Zé, vai

Encara seu espelho.

Até quando vai fugir? Do que você tá com medo?

 

O poker virou fuga, cada dia um martírio.

O As dobrado no chapéu, aquele era seu castigo.

Nos fundos da sacristia, bebeu feito um pagão

Cuspiu na mão do padre, não queria seu perdão.

 

Vai, Zé, vai

Mas não fuja da partida.

Tem jogo que só vence quem aposta a própria vida.

 

Num jogo apostando a alma, fedendo a cachaça azeda,

Diante de três matadores, o baralho ali na mesa.

Jurou sempre jogar limpo, mas tocou no chapéu.

O As amaldiçoado ia cobrar o seu papel.

 

Sentiu um frio no espinhaço, o silêncio zuniu.

Zé baixou dois ases e o seu passado, ele traiu.

O velho pistoleiro mirou sem raiva e sem fé,

“Vou mostrar pro trapaceiro, o inferno como ele é”.

 

O tiro rasgou a mesa, o baralho desabou.

No chapéu faltava o As, ele trapaceou.

A mão ficou brilhando, bonita e maldita:

Dois ases e dois oitos… o preço da partida.

 

Vai, Zé, vai,

Agora sem estrada.

Quem enfim encara a carta descobre a própria jogada.

 

Morreu como um trapaceiro, sem pedir perdão

O homem de mil culpas e sangue na mão.

Sussurrou um pedido, antes de cuspir o fel:

“Coloquem o As dobrado de novo no chapéu”

 

Vai, Zé, vai

Mas ensina quem te ouve:

A pior carta é sempre aquela que o medo não move.

 

Vai, Zé, vai

Por que olha para trás?

É sua jogada agora, dê as cartas de uma vez

 

Vai, Zé, vai

Do que você tinha medo?

O As amaldiçoado revelou o seu segredo

 

Vai, Zé, vai

O passado te seguiu

Aquela carta tinha o sangue que você traiu

 

Vai, Zé, vai...

 

Vai, Zé, vai...

 

Vai, Zé, vai...

Tião Folk - Março/2026

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O Ás AmaldiçoadoTião Folk
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